domingo, 31 de dezembro de 2006

da repetição das coisas

Admito, perdi algum tempo pensando sobre como seria ideal encerrar o ano por aqui.

Não cheguei a nenhuma conclusão plausível, claro. Só a de que somos todos acostumados a pequenos fins, numa tentativa patética de limitar pequenos momentos da nossa vida de modo a poder catalogá-los depois. Seja medindo por quanto tempo me relacionei com alguém, por quanto tempo estive empregado ali, por quanto tempo estudei naquela escola ou somente ‘por quanto tempo’, o que interessa realmente é que essa é só mais uma forma – vã, diga-se de passagem – de tentar pôr rédeas nessa coisa incontrolável que é nossa vida. Ou a própria essência do tempo.


(E sobre a vida, eu teria uma ou duas coisas a falar, mas claro, ninguém me ouviria, porque teoricamente eu ainda sou novo demais pra falar desse jeito. E é bom saber que ainda sou novo pra QUALQUER coisa.)


Uma vez li um livro. (Pra variar, Andrei vai dizer que foi ele que indicou.) Li, e é a parte que interessa: “Weaveworld”. “A Trama da Maldade”. O título soa bem melhor em inglês, e é um livro que ainda quero reler um dia. Extremamente bem costurado numa trama de fantasia moderna além-do-RPG, onde o que eu mais gosto é de como Clive Barker, conhecido por seus contos de terror, encerra o livro (que de terror não tem nada), sem encerrá-lo realmente. Temo que vocês tenham que lê-lo pra entender, porque se eu explicar, perde a graça.

O que interessa aqui é que nada realmente tem fim. Tudo se estende, expande, etcetera, etcetera, e acredito, em meu âmago, que é bobagem comemorar fins ou começos de quaisquer coisas. Infelizmente, é uma filosofia complexa que se baseia mais em cultura popular do que em qualquer outra coisa, o que a torna necessariamente legítima para essa publicação.

Puxo lá de cima, então, que de alguma forma tentamos catalogar os momentos de nossa vida e comemoramos, de forma tola, de forma infantil, a passagem do tempo pela passagem do tempo, num ritual que deve ser precisamente seguido mediante regras importantes da conduta social, que este sociopata se adianta em desprezar, em parte. O que é, necessariamente, patético.

E é exatamente na palavra ‘infantil’ que está guardado o significado de tudo isso, e não no discurso amargurado. O fim do ano não necessariamente nos transforma em falsos, como eu acreditei, ou nos deixa melhores, ou qualquer coisa do gênero. Simplesmente nos faz lembrar de quando éramos nada ante o mundo. E aqui é que ponho minha definição do famigerado espírito de natal: na nostalgia que reciclamos em nós mesmos toda vez que vemos um pinheiro piscando.

Sem menções ao capital hoje, sem discursos sentimentalistas ou sentimentalóides. Não vamos comemorar o começo do novo ano, porque simplesmente não há começo. Que a fantasia esteja aqui enquanto possa estar, que haja magia suficiente, e que não nos esqueçamos dela, que é a parte improvável e impossível.

E a minha parte preferida: não há começo. Soshite, não pode haver um fim.

sábado, 30 de dezembro de 2006

o fim de uma era

E morreu Saddam.

O cruel ex-ditador do Iraque foi enforcado hoje de madrugada pelas forças américo-paladinas montadas em brilhantes cavalos brancos criados nos estábulos texanos e teve toda a justiça que mereceu, e que therefore foi negada às suas vítimas.

Num último ato de desafio, contudo, o monstro iraquiano que foi espetacularmente capturado pelas peças douradas do exército americano, recusou-se a vestir o capuz, when facing the gallows (me lembrei de Piratas do Caribe).

E agora que o mal se foi, como fica tudo? Seremos felizes para sempre?

Dificilmente.

Os exércitos do mal que ainda davam suporte ao 'ex-ditador', agora ficaram revoltados. Primeiro porque a sentença não tinha nem 5 dias, e o império do bem da América simplesmente quis se livrar do pacote, mandando Husseim logo pro inferno, onde ele bem merece estar (claro). Segundo, porque - aí fodeu mesmo - hoje é Eid al-Adha (hehe, não faço idéia de como se fala isso), que é um dia santo, Festa do Sacrifício, e que revoltou mais e mais e mais e mais os muçulmanos que dão - davam - suporte a Saddam, e que querem vingança. Mais vingança.

Soshite, agora fodeu.

Dentro da história toda, só não entendo uma coisa: se os americanos são tão fodas, porque eles não filmaram a execução em HDTV?

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

ranma ½.

Voltando aos animes, finalmente, uma coisa curiosa. Andei falando dessa coisa de amor adolescente aí em alguns posts no passado, e curiosamente – ou nem tanto – ontem comecei a assistir um anime que eu tinha no meu HD há muito tempo e nunca tinha nem prestado atenção: Ranma ½.

Ranma foi criado na década de 1980, por Rumiko Takahashi, mesma mulher que desenhou mais recentemente Inuyasha, que eu já assisti o bastante por sinal, e uns outros dois animes que a Wikipedia cita que eu nunca ouvi nem falar, na minha vida: Maison Ikkoku e Urusei Iatsura. O último, acabo de descobrir, teve uma de suas partes (são seis filmes, cada um na faixa de 100 minutos) dirigida por Mamoru Oshii, que depois veio a dirigir o clássico da Ficção Científica (Cyberpunk, eu ainda adicionaria) Ghost in the Shell (como que chama mesmo em Japonês? Esqueci.).

Ranma é uma típica comédia romântica na qual ficam bem claras as relações japonesas entre adolescentes, mesmo que seja só um anime e não dê pra tirar conclusões por aí, né? Um jovem amaldiçoado com a mudança de sexo quando se molha (hehe, é, ele vira mulher, quando se molha), é levado até a casa de sua noiva – escolhida pelo seu pai, e pelo pai da menina. Claro que a família, no caso a família Tendo, não é normal, e a noiva do nosso Ranma herói – Akane Tendo – é uma garota um tanto violenta. O que importa realmente é que mostra exatamente a dose de repressão que é imposta pelos próprios jovens nipônicos, quando o assunto é contato – namoro, vá lá!

Do começo até o fim, bom, são sete temporadas até eles finalmente ficarem juntos – o que eu não sei ainda se acontece, porque só terminei a primeira temporada, mas que é bem óbvio de se esperar. É engraçado, e é shounen puro: com direito a um tanto de putaria inocente (se tal coisa existe).

Quando eu comecei o primeiro episódio, eu pensei: “é só um anime idiota. Quer apostar como eu vou viciar?”.

Fiquem aí pensando na resposta. Vou ali no meu quarto.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

verão e afins

Adoro dezembro.

João Pessoa fica cheia. Tudo bem que com a confusão das empresas aéreas a cidade anda até mais leve, mas ainda são muitos turistas. Detalhe que agora são mais dos arredores que do sul, porque esses andam com medo de voar. E ninguém - ninguém - em sã consciência vai vir de ônibus de São Paulo pra cá.

Se bem que, não vou mentir, quando voltei da Bahia de ônibus leito, foi melhor do que MUITA viagem de avião que já fiz: o lanchinho era melhor, a poltrona era melhor, era mais escurinho, o ar condicionado era melhor, mas não tinha nenhuma aeromoça (ou terromoça, como queiram).


Mas eu divago.

Importante é dar suporte para esse turismo, como diria meu amigo formado Jorge. Educar os paulistas pra eles não irem de meia pra a praia, e principalmente, deixar bem claro pra esse monte de idiotas que a zona litorânea só se estende até 100 metros da água. NÃO SE DEVE ANDAR DE CALÇÃO DE BANHO NOS BANCOS E NOS SHOPPINGS DAS CIDADES NORDESTINAS, o que parece um modus operandi dessa qualidade de turista.


No mais, vamos viver a magia do verão.

crimson

Enquanto não aprendo a mexer nos templates desse blogger maldito beta-novo, me viro com esse layout simplista.

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

política

"Por terrorismo poético eu entendo ações não-violentas em larga escala que podem ter um impacto psicológico comparável ao poder de um ato terrorista - com a diferença que o ato é uma mudança de consciência. Digamos que você tem um grupo de atores de rua. Se você chamar o que você esta fazendo de "performance de ruas", você já criou uma divisão entre o artista e a audiência, e você alienou de si mesmo qualquer qualquer possibilidade de colidir diretamente nas vidas diárias da audiência. Mas se você pregar uma peça, criar um incidente, criar uma situação, pode ser possível persuadir as pessoas a participar e a maximizar sua liberdade. É uma estranha mistura de ação clandestina e mentira (que é a essência da arte) com uma técnica de penetração psicológica de aumento de liberdade, tanto no nível individual quanto social." (Hakim Bey)

eragon

Tudo bem que todas as histórias já foram contadas. Tudo bem que fizeram uma ‘acariação’ entre todas as histórias existentes, e por um sistema de cruzamento, descobriram que só existem 26, em todo o mundo. Incluindo heróis, redenção e todo esse tipo de stuff.

Agora, contar todas as histórias de uma vez soa meio ridículo, né? Também acho, e foi assim, exatamente assim, que me senti ao assistir Eragon, ‘obra-prima’ do americano Christopher Paolini, que começou sua estória adolescente, mas que vende ela como adulto hoje. Não vou criticar o livro, porque não me dei o trabalho de lê-lo, então vou me manter no filme, que embora divertido sessão-da-tarde-style, é um recorte de todas – eu disse todas – as histórias de fantasia que você jamais ouviu falar – ou ouviu.

Numa mistura nada inusitada de Star Wars, Spider Man, O Senhor dos Anéis e mais um monte de best-sellers de fantasia, Paolini construiu uma história completamente clichê sem nenhuma virada, nenhuma surpresa, nenhuma originalidade e pior: sem nenhum embasamento.

O plot: num mundo povoado pela magia, os defensores do bem caem ante um traidor (Ahn-nakin?). Depois de muitos anos, surge um jovem guerreiro que é tirado da inocência quando um ovo de dragão cai subitamente em suas mãos. O ovo choca, o dragão cresce em dois dias, fala que ele é um ‘dragon-rider’ e pronto. Começa a aventura. Seu tio morre, e ‘com grande poder, vem grande responsabilidade’, e ele parte pra salvar um povo que ele nem conhece, mas que precisa desesperadamente dele. A resistência não pode sobreviver sem Eragon, e seu dragão-com-penas (COMO ASSIM?) Safira.

Pior de tudo é ler a bio do Paolini-prodígio, e descobrir que ‘todos os personagens vieram da sua imaginação, com exceção de não-sei-quem, que é vagamente baseada na irmã’ do paspalho.

E podem dizer que tenho inveja dele. Tenho mesmo. Vender tanto escrevendo tão mal deve ser uma proeza que poucos conseguem. Entre eles, Sidney Sheldon, Danielle Steel, Dan Brown e Paulo Coelho.

E eu já li todos eles, caso queiram saber.

Falei demais e me desviei do filme. Bom, Jeremy Irons é positivo, mas John Malkovich mal aparece. E ainda ouvi assim: “Qualquer filme de fantasia, seja bom ou ruim, é bem vindo”.

Quem realmente acredita nisso?

sábado, 23 de dezembro de 2006

fronteiras do universo

Bom, tá aí uma coisa semelhante ao ‘Senhor dos Anéis’.

A trilogia ‘His Dark Materials’, de Phillip Pulman, é um sucesso, fora do Brasil. Dentro, a história é diferente, claro. No país do Carnaval, nunca vi um gênero ser tão desprezado quanto a fantasia – seja ela medieval ou moderna. E a série ‘Fronteiras do Universo’, tradução absurda que deram, não poderia ocupar um lugar diferente, senão o do quase ostracismo que ocupa.

Mas, como diria Galadriel, “The World is Changing”. E embora eu não sinta na água, posso ver exatamente na indústria cinematográfica e no seu potencial de vender livros, além de filmes e stuff. Tudo isso, porque a New Line, mesma companhia que botou o ‘Senhor dos Anéis’ no topo, está filmando ‘The Golden Compass’, ou simplesmente ‘A Bússola Dourada’, primeiro livro da trilogia de Pullman, que ganhou inúmeros prêmios pelo seu trabalho, incluindo o de ‘Melhor Infanto-Juvenil da Inglaterra’.

A obra consiste na história de uma menininha chamada Lyra Belacqua, ou Lyra Silvertongue, como queiram, que parte numa jornada pra salvar um amigo e acaba descobrindo que é a parte principal numa profecia que pode destruir todas as realidades existentes. E são muitas: o filme (ou o livro, claro) trabalha justamente com duas ‘Oxfords’: a de Lyra, num mundo alternativo e meio retrô, onde a energia não é elétrica, e sim ‘anbárica’ (assim mesmo), onde física é teologia, e teologia é física, e onde existe magia, bruxas, ursos gigantes guerreiros, balonistas e et cetera, e a Oxford de Will, que vocês ainda vão vir a conhecer, que é a nossa Oxford, que eu nunca vi, mas que é exatamente a mesma, porque Pullman disse que é.

Preparem-se pra serem levados pra um outro lugar, porque além de tudo, a trilogia de Pullman é sobre sentimento, muito mais do que ação. Mal posso esperar pelo terceiro, ‘A Luneta Âmbar’, que pelo andar da carruagem, só sai em 2010.

Moral da história: daqui a um ano, quando todo mundo disser que leu a trilogia, eu mandarei todo mundo ler esse post, no qual eu declaro que li tudo em 2001.

E viva à indústria cultural.

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

obras

Entramos em processo de reforma. Em alguns dias, um nota7 vermelho e branco, pra vocês. :)

sábado, 16 de dezembro de 2006

do amor

Então!

Prometi e cumpri, embora tenha chegado com um certo atraso. Se vocês acessarem o etter agora, vão conferir o meu texto - "do amor" - que eu escrevi quando tinha 18 (não 17, como eu disse), mas que ainda assim, são vários anos atrás.

É longo, já aviso. Mas eu acho que vale a pena.

COMENTEM, malditos. Quero saber o que vocês pensam.

http://e-t-t-e-r.blogspot.com
http://e-t-t-e-r.blogspot.com
http://e-t-t-e-r.blogspot.com/

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

monotonia

Não tô a fim de escrever hoje, mas não abandonarei o blog. Seguem os linques pro meu vídeo, 'O que nos liga é a Música', sobre a cena de drum'n bass brasileira, e com edição de Marcelo Coutinho.

Assistam aí. Parte I em cima, Parte II embaixo.






quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

pra chutar o balde


Sejamos todos escravos do capital, meus amigos. Roubei a referência descaradamente da Sacanitas (http://sacanitas.blogspot.com). Era muito foda pra não postar.

E viva ao Copyleft.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

ensaio sobre o vôo

Existe um discurso, meio hipócrita e anti-possessivo, que diz que a traição é mais depreciadora pra quem trai do que pra quem é traído. Claro que isso é estratégia de compensação, porque ninguém gosta realmente de ser trocado por ninguém. É chato e dói, e sempre deixa o trocado arrasado. É coisa da vida, né? Vamos levando que passa, não há nada que o tempo não cure. Pra quem é adepto desse discurso que eu citei, o papo é diferente. “Eu confio. Se ele fizer merda, ele que vai sentir a culpa”.

É o peso da relação atada, o peso do acordo selado, e nessa sociedade cartesiana cheia de regras pra tudo, a traição é o modo que o coração encontra de estar sempre se reformulando, de estar sempre fugindo das relações de poder, fugindo da institucionalidade. Já pensaram na dinâmica do sublime? Numa era em que se vende sonhos em DVD, e muitas vezes por menos de cinco reais, o coração foi esquecido, trocado pela dinâmica grosseira do capital pelo capital.

Mas me explico: não é que seja exatamente contra o capital, ou contra os ‘tempos modernos’. É que simplesmente identifico hoje uma deficiência no sentir que deve encontrar eco em algum filósofo, claro, e que é ignorada pela humanidade. No meu ‘Do Amor’, que vou postar no Etter ainda hoje, eu tinha 17 anos. Quase dez anos atrás eu escrevi um texto que falava de sentimentos de um modo completamente infantil, inocente. O que pensar, então? O problema talvez não seja o capital, e sim a idade.

Recentemente estive ouvindo o CD novo do Blind Guardian (é, eu jogo RPG e ouço metal), e uma música em especial me chamou a atenção. É a faixa principal do CD, entitulada “Fly”. Numa digressão à história de Peter Pan, Hansi Kursch, vocalista dos ‘Bardos Modernos’, fala assim, numa estrofe:

She’s finding Neverland
There on the day she dies
Don’t stop it now
She still enjoys the scene

E isso quase me fez chorar, vejam só, o que é assunto pra outro post. Aqui, vou dizer que minha reflexão é a de que quanto mais inocentes, mais nossos sentimentos são puros – o que é óbvio – e mais sinceros somos conosco, conosco mesmo. E que talvez o grande problema da fantasia – seja medieval ou moderna mesmo, ou até pós moderna, como ‘His Dark Materials’ - é que ela pega uma carga pesada de sentimento que nós, enquanto homens pós-humanos, não estamos acostumados a lidar. Quem chora hoje? E esqueçam as referências ‘emo’, estou falando do que vem de dentro – que pra mim é o mais puro sentimento de sublime. O choro de alegria, a fluidez da emoção. O que Peirce chama de qualidade pura, sem nome. Nosso Argumento Negligenciado pessoal.

Divago de novo, mas é importante concluir nesse parágrafo, que pra quem é adulto, a infância – a inocência, o desapego, o fluxo de sentimento, a essência – vira sublime. O artigo mais procurado hoje, nesse mundo do pós, é aquele que nos leva de volta, que nos faz rir despretensiosamente, lembrando de como era boa aquela época que já foi. E que não volta.

Sou nostálgico hoje.

Por fim, as crianças são fiéis. Traição é coisa pra adultos. A idade traz não só a preocupação com o dinheiro, que isola possibilidades de inocência, como também uma estética perigosa que põe em evidência o que o dinheiro pode comprar. E embora aqui eu seja relativista, e faça uma crítica que posso não abraçar, me pego pensando em como é simplesmente belo demais pensar que pensamentos bons, coisas maravilhosas, possam nos fazer flutuar, e na metáfora máxima, me encontro em casa: a imaginação aqui é nossa única fuga real.

E a esperança.

Fico por aqui, pensando.

Mas pra os que se consideram certos demais de si, fica a pergunta: quando a criança fala mais alto e você encontra a pessoa com quem você trairia a si mesmo, o que acontece com a dinâmica do mundo do capital?

puta que pariu

Se a vida já não é mole normalmente, o que acontece quando o Orkut te diz que ela vai ficar pior?

Today's Fortune: Serious trouble will come to pass to you.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

estibordo

Sei que é desinteressante postar mais de uma vez por dia, porque as pessoas não comentam e eu fico me sentindo sozinho no ciberespaço. Desinteressante pra mim, claro. (hehe)

Mas esse é um post especial. Abaixo, vocês podem conferir 'Estibordo', vídeo dirigido e produzido pelo meu amigo Marcelo Coutinho, cuja trilha sonora é de minha autoria.

O 'Estibordo' foi vencedor da categoria 'Melhor Ficção Paraibana' no FestAruanda, que aconteceu semana passada, no Hotel Tambaú, aqui em João Pessoa, e segundo Marcelo, está inscrito em uma outra dezena de festivais.

Assistam e comentem, por favor. Quero ouví-los.

baratas: parte 2

Não disse que elas me amam?

Rá! Antes fossem as mulheres as quais vocês pensaram. Nada disso. São nossas amigas cascudas e marrons, com asas fracas e pernas fortes, e resistentes à radiação nuclear, com a qual eu tenho uma ligação sobrenatural e que continuam – sim sim – a me perseguir.

As baratas. Elas mesmas.

Estava no ônibus, olhando pra a minha nova aquisição: “Cibercultura”, de Lévy (Me lembrei de uma professora de Felipe que disse que nós nunca ‘lemos’ os clássicos. Só ‘relemos’). Olho de lado: quem está lá?

Isso mesmo.

Discretamente me afastei pro banco do lado, que tava desocupado.

Aí ri de mim, claro.

domingo, 10 de dezembro de 2006

forth, eorlingas

Estou aqui vendo no SBT, "O Senhor dos Anéis: As Duas Torres".

Admito que quando o filme saiu, fiquei com um puta ranço. É um complexo velho, pra quem entende do underground, onde você simplesmente não quer que sua ilha cultural seja exposta à massa. Depois disso, você passa a ver até as pagodeiras falando bem de Legolas, quando só você tava acostumado a fazer isso - e nem é meu caso, porque meu preferido sempre foi o Théoden. Os Rohirrin tem um charme muito maior na trilogia, e o relacionamento deles com o mundo é bem interessante. Sem contar que dos impérios, no filme, é o melhor refletido. Não gosto de Val-somos meninas-fenda, nem de Gon-somos numenorianos-dor.

Ainda me arrepio vendo todos os filmes, do modo como sempre me arrepiei lendo os livros, - e preciso dizer, fi-lo bem antes de COMENTÁRIOS sobre o filme. Portanto, ainda há algo de autêntico aqui nesse que vos fala.

Mas passei a gostar do filme. Boas atuações, combinadas a uma puta trilha sonora e uma propensão natural pra gostar de fantasia medieval (eu jogo RPG sim), fazem da trilogia do Senhor dos Anéis uma experiência única.

Mas ainda é inferior, pra quem não leu o livro. Metade do filme vai pelo ralo, se você nao saca as referências.

Fiquem com minha parte preferida no roteiro do "Retorno do Rei". Eu sempre me arrepio quando vejo, mas até copiando do IMDB agora, eu me arrepiei. Será que algo será tão expressivo quanto Tolkien foi, nessa área, daqui pra frente?


Theoden: Eomer. Take your Èored down the left flank. Gamling, follow the King's banner down the center. Grimbold, take your company right, after you pass the wall. Forth, and fear no darkness! Arise! Arise, Riders of Theoden! Spears shall be shaken, shields shall be splintered! A sword day... a red day... ere the sun rises!

Eowyn: [to Merry] What ever happens, stay with me. I'll look after you. [the King rides past his men, hitting their spears with his sword as he goes]

Theoden: Ride now!... Ride now!... Ride! Ride to ruin and the world's ending! [He stops and faces Sauron's army]

Theoden: Death!

Rohirrim: [echoing] Death!

Theoden: Death!

Rohirrim: [echoing] Death! Theoden: DEATH!

Eowyn, Merry: Death!

Theoden: Forth, Eorlingas!

sábado, 9 de dezembro de 2006

máxima #2

Porque ser mal está dentro de cada um de nós:

"Não existe nada pior do que alguém querendo fazer o bem. Em especial, o bem aos outros."
(Maffesoli)

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

baratas: parte 1

Às vezes a gente se pega pensando uma coisa legal do nada, né? Pois é, foi assim que começou a minha primeira parte da Trilogia das Baratas, a qual vou começar a relatar pra vocês agora. E não se enganem, porque não é que eu goste das baratas - é justamente o contrário. Vamos dizer que eu também não sou nenhuma moça, né? Não saio correndo e gritando, tentando assustar o pobre bichinho que acabou de sair do ralo do meu banheiro. E não se enganem que também não moro em nenhuma possilga não - é que há um magnetismo sobrenatural (ou supernatural mesmo, nesse nível) entre eu e elas, que às vezes beira simplesmente a comunicação mental.

Assim, a minha relação com as baratas é de amor e ódio. Mais ódio, claro. Eu as odeio do fundo do meu coração, mas elas insistem em se fazerem recorrentes. Em ficar perto de mim. Talvez seja amor delas, porque afinal, eu sou mesmo irresistível.

Gosto de me ver assim, como um cavaleiro de armadura brilhante - uma coisa Aragorn, Príncipe Encantado ou no máximo São Jorge - cujo serviço é destruir esses monstros horríveis que permeiam o mundo. Monstros que podem passar fome por semanas a fio, se sua cabeça for arrancada eles só morrem bem depois e que resistem às intempéries da radiação. "Se alguém no mundo é imagem e semelhança de Deus, são elas. E não nós."

As baratas são meus dragões pessoais. Não é porque o cavaleiro vai matar o dragão que não precisa temê-lo: a verdadeira coragem se encontra em enfrentar o medo, e finalmente vencer o verdadeiro poder do mal.

Mas o meu trabalho é pro-bono, porque não envolve dinheiro, e geralmente, nem mulheres.

Vida de gente boa é um saco.