da repetição das coisas
Não cheguei a nenhuma conclusão plausível, claro. Só a de que somos todos acostumados a pequenos fins, numa tentativa patética de limitar pequenos momentos da nossa vida de modo a poder catalogá-los depois. Seja medindo por quanto tempo me relacionei com alguém, por quanto tempo estive empregado ali, por quanto tempo estudei naquela escola ou somente ‘por quanto tempo’, o que interessa realmente é que essa é só mais uma forma – vã, diga-se de passagem – de tentar pôr rédeas nessa coisa incontrolável que é nossa vida. Ou a própria essência do tempo.
(E sobre a vida, eu teria uma ou duas coisas a falar, mas claro, ninguém me ouviria, porque teoricamente eu ainda sou novo demais pra falar desse jeito. E é bom saber que ainda sou novo pra QUALQUER coisa.)
Uma vez li um livro. (Pra variar, Andrei vai dizer que foi ele que indicou.) Li, e é a parte que interessa: “Weaveworld”. “A Trama da Maldade”. O título soa bem melhor em inglês, e é um livro que ainda quero reler um dia. Extremamente bem costurado numa trama de fantasia moderna além-do-RPG, onde o que eu mais gosto é de como Clive Barker, conhecido por seus contos de terror, encerra o livro (que de terror não tem nada), sem encerrá-lo realmente. Temo que vocês tenham que lê-lo pra entender, porque se eu explicar, perde a graça.
O que interessa aqui é que nada realmente tem fim. Tudo se estende, expande, etcetera, etcetera, e acredito, em meu âmago, que é bobagem comemorar fins ou começos de quaisquer coisas. Infelizmente, é uma filosofia complexa que se baseia mais em cultura popular do que em qualquer outra coisa, o que a torna necessariamente legítima para essa publicação.
Puxo lá de cima, então, que de alguma forma tentamos catalogar os momentos de nossa vida e comemoramos, de forma tola, de forma infantil, a passagem do tempo pela passagem do tempo, num ritual que deve ser precisamente seguido mediante regras importantes da conduta social, que este sociopata se adianta em desprezar, em parte. O que é, necessariamente, patético.
E é exatamente na palavra ‘infantil’ que está guardado o significado de tudo isso, e não no discurso amargurado. O fim do ano não necessariamente nos transforma em falsos, como eu acreditei, ou nos deixa melhores, ou qualquer coisa do gênero. Simplesmente nos faz lembrar de quando éramos nada ante o mundo. E aqui é que ponho minha definição do famigerado espírito de natal: na nostalgia que reciclamos em nós mesmos toda vez que vemos um pinheiro piscando.
Sem menções ao capital hoje, sem discursos sentimentalistas ou sentimentalóides. Não vamos comemorar o começo do novo ano, porque simplesmente não há começo. Que a fantasia esteja aqui enquanto possa estar, que haja magia suficiente, e que não nos esqueçamos dela, que é a parte improvável e impossível.
E a minha parte preferida: não há começo. Soshite, não pode haver um fim.





Não disse que elas me amam?

