sexta-feira, 30 de março de 2007

disney arrebatadora

Estou aqui falando com Andrei sobre “Ponte para Terabítia”.

E devo dizer que fiquei surpreso. Quando Mousinho, professor meu, quase orientador, falou que achou legal, fiquei com vontade de ver, ao menos, já que tinha sido consumido por uma onda de preconceito provinda do fiasco que foi assistir as “Crônicas de Nárnia”.

Acaba de me ocorrer uma coisa engraçada. Falo já sobre isso.

Bom, Terabítia é impressionantemente sensacional, vejam só. Uma história de fantasia infanto-juvenil cheia de intertextos pra adultos, onde a fantasia é bem sutil, se você passou dos 16. Os protagonistas são um menino e uma menina, ambos na faixa dos 12 anos, que têm problemas de relacionamentos – com as mais variadas pessoas que os rodeiam – e que se enclausuram em seu RPG particular – se você quiser ver assim – pra fugir disso tudo.

Ou pelo simples prazer de fazê-lo, que seja.
O filme é baseado no livro de mesmo nome, escrito pela americana Katherine Paterson e publicado em 1977 (ano que o primeiro video-game chega no Brasil, mas nada a ver). E aconteceu porque uma amiga do filho de Paterson (Lisa Hill) foi atingida por um raio na praia e - claro - morreu(bem "o dedo de deus", "deus ex machina", etc).
BTT é considerado um dos cem livros mais questionados de 1990 a 2000, por causa do modo como a história se desenrola e justamente por causa do modo como Leslie se refere ao deus cristão.

Não tem muito mais que eu possa dizer aqui sem estragar o filme, a não ser que os efeitos visuais são discretos, comedidos e bem posicionados, que a cor do filme é muito bonita, as paisagens também e que se você tem a mente aberta, é um filme que vai te dar vontade de escrever. Ou de chorar, btw.

Como intertexto – ou intra ou trans – Phillip Pullman’s His Dark Materials: Fronteiras do Universo. Chega aos cinemas no fim do ano e é fantasia infanto-juvenil classe A também, e que Terabítia me lembrou muito, por causa do relacionamento de Leslie e Jess, que de certa forma parece com o de Lyra e Will.
Em tempo (como diria Maurício): A coisa engraçada que me ocorreu é que Nárnia é completamente proselitista e voltado pra a divulgação da Igreja (bom, era, no livro, no caso. o filme ainda chupa disso, mas não é lá sensível como devia ser), e essa produção, Terabítia, tem um discurso assim, controverso, sobre a igreja, que pra mim não adianta de nada, mas deve mexer com as cabeças dos teenagers. Religião é algo que sempre me deixou confuso, quando eu era menor.
No mais, é bom ver a Disney com outras coisas além de Piratas do Caribe. Eles andam evoluindo. Finalmente.

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