quarta-feira, 16 de julho de 2008

antes

De novo no mesmo lugar, com as mesmas luzes, as mesmas pedras no chão, sentindo-se do mesmo jeito. Assim foi, quando abriu a porta do velho quarto. A poeira coroava cada um dos móveis lá dentro. Tempo demais. Ou pelo menos sua ilusão. Entende?

Ela não entendia. Uma lágrima rolou; a música mudou. Nove horas. Se quer ir, que vá. Acordes tristes acompanhavam sua ida, no regresso, nenhum som a perturbava – era um ambiente absolutamente virgem de som. A motivação lhe faltou, e a vontade de morrer surgiu num vômito negro do seu coração.

Nem isso.

Saiu de casa para filmar o mundo antes que ele acontecesse, e nesse processo, percebeu que algo lhe faltava. Outra lágrima lhe escorreu enquanto a gasolina escorria pelas paredes. Sentiu-se sufocada – e o cheiro do líquido nada tinha a ver com aquilo.

Depositou as cartas antigas sobre a velha mesa da cozinha. Hesitou ao jogar o isqueiro. Virou de costas. Os lábios tremeram, enquanto um sorriso se desenhava. Nos olhos, nada.

papel e inocência, ah
dissolvidos sob
o sol de outono.

0 comentários: